Nilo » Nilo conta sua carreira

NILO CONTA SUA CARREIRA

O ex-lateral Nilo Roberto Neves tem, certamente, a maior média de títulos conquistados entre todos os atletas que já vestiram a camisa alviverde. Nos oito anos em que defendeu o alviverde, entre 1968 e 1975, Nilo conquistou doze títulos pelo clube, além de ter sido selecionado para atuar pela seleção brasileira, neste período. Leia, a seguir, a entrevista exclusiva concedida por ele aos Helênicos.

1957 - SEU COMEÇO NO FUTEBOL

HELÊNICOS - Como o futebol entrou na vida do Nilo ?
NILO - Nasci em Porto Alegre e, ao contrário da maioria dos garotos, não gostava muito de futebol. Próximo a mim morava Paulo Roberto, um garoto que atuava pelo time infantil do Internacional. Em 1957, quando tínhamos quatorze anos, Paulo me convidou para tentar a sorte no clube gaúcho que, aliás, era também meu time de coração. Eu falava a ele que ia, mas depois mudava de idéia. Um dia, Paulo foi à minha casa e só saiu quando aceitei ir junto com ele, treinar.
H - Já começou como lateral?
N - Mesmo com 1,65m de altura, eu preferia jogar de zagueiro (risos). Quando se é jovem, a altura não é tão determinante. Como sempre tive ótima impulsão e ia sempre firme pra dividir todas as jogadas, eu achava que a zaga seria a melhor posição para mim.
H - Então porque mudou de posição?
N - Na época, existia no Internacional um lapidador de talentos, dos melhores que já trabalharam no sul, chamado Abílio dos Reis, que descobriu Falcão, Escurinho, Carpeggiani, Dunga, Alcindo, Flávio, Bráulio, entre tantos outros. Bem, Abílio recomendou que eu atuasse na lateral. Por isso mudei, mas meio a contragosto, pois preferia a zaga.
H - Colocaram você na esquerda por ser canhoto ?
N - Não, pois sou destro. Repare que o destro, ao jogar na esquerda, tem maior tendência de chutar a bola em direção ao gol e não cruzá-la para a área, como faria um atleta canhoto.

1962 - INÍCIO DE CARREIRA

H - Quando você estreou?
N - Foi em um Gre-Nal, em 1962, com dezenove anos de idade. Marquei Marino, um dos goleadores do Grêmio, e fui bem.
H - Que responsabilidade, estrear em um clássico. Permaneceu muito tempo no Internacional?
N - Joguei apenas um ano. Em 1963 o Internacional trocou meu passe pelo do Gilberto Tim, e assim segui para o São José, também de Porto Alegre.
H - Como foi sua passagem por lá?
N - Por minhas atuações, tive convite para jogar no Santos, Grêmio, Metropol e até para voltar ao Internacional. Mas infelizmente, o São José não me liberava.
H - Era uma época diferente.
N - O jogador não tinha liberdade para escolher onde queria atuar. Era propriedade do clube. Isso me chateou, a ponto de eu ter abandonado minha carreira, em 1967.
H - Com 24 anos?
N - Em 1968, quando Motorzinho veio me procurar para atuar pelo Coritiba, já trabalhava no BANRISUL (Banco do Estado do Rio Grande do Sul). Como o São José sabia que eu abandonara o futebol, acabou então me liberando para jogar pelo Coxa.

Nilo chega ao Coritiba

1968 - CHEGADA AO CORITIBA

H - Talvez você não saiba por que o Coritiba foi buscá-lo. Mas em abril de 1968, o alviverde perdeu para o Apucarana, em pleno estádio Belfort Duarte (hoje, Couto Pereira). Passarinho, o ponteiro direito do time do interior, fez dois gols e ?acabou com o jogo?. Por isso, o clube foi atrás de um lateral esquerdo de mais qualidade, que pudesse marcá-lo.
N - Passarinho inclusive foi contratado pelo Coxa, no ano seguinte. Era um excelente jogador.
H - Bem, e o Coritiba acabou adquirindo seu passe ?
N - Primeiramente, eu vim por empréstimo até o final do ano, com valor do passe estipulado.
H - Como foram seus primeiros dias no clube?
N - Cheguei em maio, achando que logo voltaria para Porto Alegre. No primeiro treino que participei, pelo time reserva, tive de marcar o ponta-direita titular, Coutinho. O técnico pediu para eu ?pegar forte?, mas eu não admitia arriscar machucar um companheiro durante um treinamento. Por isso, fui para o banco de reservas e vi o Coritiba começar perdendo por 3x0 para a equipe do Paranavaí, aqui em Curitiba.
H - O alviverde perdeu o jogo?
N - Sabe aquele colega, Paulo Roberto, que em 1957 me levou para treinar no Internacional? Pois bem, ele estreou no Coxa naquela partida, entrando no segundo tempo de jogo. E fez o primeiro gol do time.
H - Paulo Roberto?
N - Pois é, vocês o conhecem como Paulo Vecchio....(risos)
H - Coincidência interessante, os dois no mesmo elenco.... E como terminou a partida?
N - Um jogador do Paranavaí marcou contra e, no último minuto de jogo, Krüger empatou a partida. Pelo resultado geral, o treinador ?caiu?. Na partida seguinte, com técnico novo, estreei.
H - Foi dia 18 de Maio, contra o Britânia. E não foi uma partida normal.
N - Foi praticamente uma ?guerra?. Depois que o zagueiro Vermelho, do Britânia, quebrou a perna de Krüger, qualquer dividida era razão para conflito. O juiz expulsou dois atletas de cada lado. Ganhamos por 3x0, mas a partida foi muito tumultuada.
H - E desta partida em diante, Nilo ganhou a lateral esquerda e não saiu mais da equipe....
N - O técnico Francisco Sarno assumiu a direção da equipe e arrumou o time. Pra você ter uma idéia, nas minhas primeiras onze partidas, tomamos apenas dois gols. A defesa tinha Célio, Reis, Deleu, Modesto, Roderley e eu. E com ela fomos até a decisão....

1968 - PRIMEIRO TÍTULO DA CARREIRA

H - Os históricos Atletibas decisivos.
N - Na primeira partida, vencemos por 2x1. Na segunda, perdíamos por 1x0 até os 45 minutos do segundo tempo. A torcida do Atlético comemorava, e nossa torcida estava quieta. Até que aconteceu uma falta, no último minuto de jogo. No lance, o atleta Paulista, do Atlético, foi expulso e ficou fazendo cera. Eu cobrei a falta e não deu em nada. Mas o árbitro Arnaldo César Coelho mandou voltar a cobrança, pois Paulista ainda não havia saído de campo. Pedi então para nosso time ir todo para a área. Ficaram 20 atletas na área adversária. Cruzei, e todo mundo subiu. A bola chegou exatamente em quem ? Paulo Vecchio, que não perdoou. Gol do Coritiba, gol do título,
H - O cruzamento foi chegar logo no amigo que te levou para iniciar a carreira no Internacional. Este gol então começou a ser desenhado onze anos antes.
N - Quando aconteceu o gol, o árbitro pegou a bola e correu para o vestiário. O zagueiro Belini, do Atlético, saiu atrás dele. Acho que até hoje está tentando alcançá-lo (risos) .
H - A conquista, em cima do maior rival, no último minuto, deve ter sido emocionante.
N - Nossa torcida, que estava quieta, explodiu de felicidade.
H - Seu primeiro título?
N - Este foi certamente o título mais importante da minha carreira, não apenas por ter sido o primeiro, mas também por ter sido conquistado de forma emocionante e pelo gol de meu grande amigo, Paulo Vecchio.

Elenco campeão de 1968

1968 - EMPRESTADO PARA O ATLÉTICO

H - Dias depois, você foi emprestado ao Atlético.
N - Fui campeão na quarta-feira e me apresentei na sexta-feira. Os três clubes da capital (Coritiba, Atlético e Ferroviário) tinham um acordo. O time escolhido para representar o estado no torneio Roberto Gomes Pedrosa, que era um tipo de campeonato brasileiro na época, podia escolher dois atletas de cada rival, dando em troca parte das rendas. E então eu e o goleiro Célio seguimos para defender o Atlético.
H - Sentiu alguma diferença de estrutura?
N - Na época, o Atlético treinava apenas um período, e eu estava acostumado a treinar em dois. Então, à tarde eu vinha para completar o treinamento, com nosso pessoal.
H - Deve ter feito um excelente campeonato.. (risos)
N - Em Outubro, o Corinthians enfrentou o rubro-negro e a partida foi transmitida para São Paulo e Rio de Janeiro. O clube paulista contava com o ponta direita Paulo Borges, que havia sido recentemente contratado por uma verdadeira fortuna. Paulo acabou não jogando nada, pois anulei-o completamente, e inclusive fiz o segundo gol da partida.

1968 - SELEÇÃO BRASILEIRA

H - E graças á esta atuação, você acabou selecionado para a seleção brasileira.
N - O técnico da Seleção na época era o Aymoré Moreira, que também treinava o Corinthians. Fui convocado, e fiquei concentrado na ?Toca da Raposa?, em Belo Horizonte. Fizemos um jogo treino contra o Fluminense e, em meados de Novembro, viemos enfrentar o Coritiba.
H - Como foi vestir a camisa da seleção, jogando contra seu clube ?
N - A partida servia para a entrega das faixas de campeão paranaense. O Coritiba entrou em campo e eu fazia parte dos agraciados. Recebi minha faixa de Pelé, inclusive. O problema é que, como a partida iria começar e eu ainda estava com o uniforme do Coxa, a seleção iniciou com Paulo Henrique na lateral. O treinador não queria que eu jogasse naquele dia, mas a torcida paranaense pediu, e então acabei entrando no segundo tempo.
H - Foi contra a seleção principal do Brasil ?
N - Tinha Felix, Carlos Alberto, Rivelino, Gérson, Jairzinho, Pelé, Tostão, Paulo César. A base do time que um ano e meio depois foi tri-campeão do mundo no México. E mesmo assim, o Coritiba só perdeu com um gol no penúltimo minuto de jogo...

1968 - PRIMEIRO TÍTULO INTERNACIONAL

H - O ano nem tinha acabado, e o Coxa e você conquistaram um título internacional.
N - Pois é. Na rodada final, vencemos a seleção da Bulgária por 1x0 e ganhamos o ?Torneio Internacional de Verão?.
H - Um bom começo, para o recordista de partidas internacionais, vestindo a camisa alviverde.
N - Tive sorte, no tempo que eu defendi o Coritiba, o presidente Evangelino trouxe diversos clubes estrangeiros para nos enfrentar.
H - Além das três excursões...
N - Defendendo o Coritiba, pude conhecer a Europa e a África. Foi uma época muito especial.
H - O ano terminava, e seu empréstimo também.
N - O São José quis me levar de volta. Mas o presidente Neves, inteligentemente, só aceitara fazer o empréstimo com valor do passe estipulado. E assim, o Coritiba adquiriu meu passe, no final do ano. E logo em seguida o Palmeiras me procurou.
H - Não quis jogar na ?Academia? de Ademir da Guia ?
N - Recomendei à eles um lateral canhoto que eu conhecia lá do Sul, o Zeca. Ele foi contratado e jogou no Palmeiras até 1977. Acho que foi uma boa indicação, não é?

Nilo é seleção

1969 - GARRINCHA E O BICAMPEONATO PARANAENSE

H - Não bastasse o excelente 1968, veio 1969 e um novo título paranaense.
N - Ganhamos com uma rodada de antecedência, no Oresthes Thá, estádio do Água Verde. O estádio, lotado de torcedores coritibanos, tinha como alambrado apenas uma cerca baixa de madeira. Ganhamos por 1x0, gol do Lucas. Lembro-me que quando o árbitro Rubens Maranho apitou o final de jogo, a torcida coxa invadiu o gramado.
H - Alguns dias antes da partida contra o Água Verde, o ponta Garrincha treinou no Coritiba. E você, como lateral da esquerda, ficou incumbido de marcá-lo.
N - Foi mais uma das idéias do presidente Evangelino, para promover o clube. Quase duas mil pessoas assistiram a este treino. Interessante também que Garrincha criou afinidade pelo Coxa, e estava presente no estádio, no dia em que nos sagramos campeões paranaense.

Bicampeão em 1969

1969 - PRIMEIRA EXCURSÃO PARA O EXTERIOR

H - 1969 foi também o ano da primeira excursão de um clube paranaense, pela Europa. O Coxa enfrentou times de primeira grandeza do futebol mundial. Hamburgo, Colônia, Borússia Dortmund, Saint Etienne, Bordeaux, Feyenoord, Anderlecth, Valência....
N - Poucos clubes brasileiros excursionaram e enfrentaram tantos adversários famosos desta forma.
H - Como avalia a excursão?
N - Foi muito importante para o grupo. Deu-nos tarimba internacional. Fomos bem, e só não conseguimos melhores resultados por causa do cansaço. Em um mês, jogamos doze partidas. Foi muito cansativo, mas valeu à pena.
H - E você, teve um rendimento bom, apesar do cansaço?
N - Sinceramente? Eu fui muito bem. Eu driblava os pontas adversários com facilidade e subia para o ataque. Cheguei a ser comparado a Djalma Santos, por alguns jornalistas europeus.
H - E o retorno da equipe ao Brasil foi apoteótica.
N - O saguão do aeroporto ficou lotado de torcedores. Tinha até banda de músicas, do Corpo de Bombeiros, tocando o hino do Coxa. Quando conseguimos ser liberados pela alfândega, seguimos em carreata até o estádio. Durante o trajeto, as pessoas nas ruas paravam e nos aplaudiam. Foi uma manifestação de carinho fantástica, da cidade de Curitiba por nós.

1969 - TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA

H - Chegaram no dia 06/09 e no dia seguinte estrearam no torneio ?Robertão?, que era o Campeonato Brasileiro da época.
N - Nessa partida de estréia, contra o Vasco, houve a entrega de faixas, pelo título paranaense.
H - E como foi o Coritiba no torneio?
N - Começamos muito bem, ganhando de Vasco, São Paulo e Botafogo. Mas infelizmente o elenco estava muito desgastado fisicamente, por ter jogado o campeonato paranaense e excursionado para a Europa, e então o rendimento da equipe caiu.

1970 - SEGUNDO TÍTULO INTERNACIONAL

H - O ano de 1970 começou bem. A equipe conquistou o II Torneio Internacional de Verão.
N - Foi? Olha, ganhamos tanta coisa, nos anos que estive no Coritiba, que algumas conquistas até me fogem da memória (risos)...
H - Vocês eliminaram o Sparta, da Tchecoslováquia, e na decisão venceram o Atlético.
N - Sermos campeões era normal. O problema é que os clubes do estado, nossos adversários, decidiram que não iríamos levar o tricampeonato.

Time de 1970

1970 - TRICAMPEONATO PERDIDO

H - E o Coritiba não conseguiu concretizar, em 1970, o sonho da torcida, do tricampeonato.
N - Foi uma disputa bem estranha. Todas as equipes jogavam contra nós com o intuito primeiro de nos prejudicar. Contra o Água Verde, Krüger foi atingido pelo goleiro adversário, e teve suas alças intestinais rompidas.
H - E em Guarapuava, contra o Grêmio Oeste?
N - Ganhávamos por 2x0, quando a torcida adversária começou a atirar pilhas e pedras no campo. Perdemos a concentração e acabamos tomando dois gols. Ao final da partida, a torcida queria nos agredir. Só conseguimos sair dos vestiários de madrugada, com escolta policial.
H - Teve também a partida em Paranaguá, debaixo de muita chuva.
N - Aquilo foi escandaloso. Chovia tanto que não havia setor no gramado em que a bola rolasse. Estava uma ?piscina?. Nossos dirigentes tentaram adiar a partida, mas o juiz não aceitou. E perdemos aquele jogo, praticamente de pólo aquático.
H - Na última rodada, se o Coritiba vencesse o Grêmio Maringá por 4 gols de diferença e o Atlético empatasse, haveria Atletiba na decisão.
N - Essa foi outra palhaçada. Aos 35 minutos do 1º tempo fizemos 2x0. Logo em seguida, um pênalti claro a nosso favor. Os jogadores do Maringá iniciaram um tumulto e dois foram expulsos. Em seguida, vários simularam contusão e o time simplesmente abandonou o campo. Com o 2x0 não conseguimos os 4 gols que precisávamos, infelizmente.
H - E assim o Atlético sagrou-se campeão.
N - E olha que fazia doze anos que eles não ganhavam nada...

1970 - SEGUNDA GRANDE EXCURSÃO

H - Na seqüência, em 1970 mesmo, o clube excursionou para a Europa e África.
N - Foi outra boa excursão, mas jogamos no frio intenso da Europa.
H - Fazia muito frio em Novembro?
N - Para se ter idéia, uma partida disputamos sob oito graus negativos. Depois do jogo, entrei no chuveiro de chuteiras, para conseguir retirá-las, de tão endurecidas que elas ficaram.
H - Qual o momento mais marcante da excursão?
N - A volta de Krüger aos gramados, certamente. Depois do acidente em que ele quase perdeu a vida, seu primeiro gol foi muito festejado por todos, na Europa e em Curitiba.
H - E a excursão terminou com um jogo contra o Sporting, de Lisboa.
N - Os dois times tiveram várias chances de gol. Pena que tomamos um gol no último minuto, e perdemos o jogo. Mas foi um grande jogo.

1971 - SUPREMACIA ESTADUAL

H - 1971 começou ?quente?. O Coritiba venceu a Seleção da França, o III Torneio Internacional de verão, o Dinamo, o Rapid. Realmente não tinha pra ninguém?
N - Olha, o elenco realmente pensava assim. Até que, no Paranaense, vencíamos um Atletiba por 2x0, mas deixamos que eles virassem para 4x3. Graças a isto, ?acordamos? e vimos que se não nos empenhássemos, iríamos perder outro paranaense.
H - Saiu o técnico Mauro Ramos, entrou Tim, que acertou o time.
N - Na fase final, o União Bandeirantes, que tinha a famosa ?Dupla Caipira? (Tião Abatia e Paquito) fazendo montes de gols, endureceu pra cima de nós, e quase perdemos o título lá em Bandeirantes.

Elenco de 1971

1971 - PRIMEIRO CAMPEONATO BRASILEIRO

H - Na seqüência, o Coritiba disputou o primeiro campeonato Brasileiro da sua história. Zé Roberto precisou ser devolvido ao São Paulo, mas Evangelino trouxe a ?Dupla Caipira?.
N - Naquele Brasileiro fomos bem, chegamos até a fase semifinal.
H - Sem falar do tal lance do Abatia, contra o Atlético Mineiro.
N - Naquele dia, aconteceram coisas sobrenaturais (risos). Nosso centroavante, Tião Abatiá, que era excelente finalizador mas não tinha muita habilidade, driblou o ponta Vantuir por três vezes seguidas. Sem ângulo, Tião cruzou na medida para Leocádio, um atleta habilidosíssimo. E não é que, de frente para o gol e sem goleiro, ele errou?
H - Este lance foi muito usado na abertura de programas de esportes, de âmbito nacional. Depois, a revista ?Placar? escolheu Abatiá como melhor centroavante do ano.
N - Não existe gol de placa? Então, esse foi um lance de placa.... Realmente merecia....

Brasileiro de 1971

1972 - MAIS GLÓRIAS INTERNACIONAIS

H - O ano começa e, já em Janeiro, o Coritiba vence Benfica de Portugal e a seleção da Hungria.
N - Graças a estes bons resultados, fomos novamente convidados para outra excursão.
H - Mas antes, precisaram jogar a primeira fase do Paranaense. O time não começou bem.
N - Lembro que quando perdemos para o União Bandeirantes, no Belfort Duarte, a torcida hostilizou muito o técnico Aimoré Moreira, que acabou pedindo demissão. Lanzoninho assumiu e a situação melhorou.
H - Em Junho, o time excursionou para a África e voltou invicto. Como foi?
N - O clube adquiriu muita experiência internacional, graças às excursões anteriores, e aos vários amistosos em Curitiba. Voltamos invictos, e recebemos o título de ?Fita Azul?, por isso.

1972 - BICAMPEÃO PARANAENSE COM PARTICIPAÇÃO DECISIVA

H - Na seqüência, Atletiba decisivo, em duas partidas. Na primeira, vitória Coxa por 1x0, gol de Krüger. Na segunda, o alviverde jogava pelo empate. O que aconteceu?
N - Empatamos em 0x0, e fomos campeões.
H - Mas teve um lance, na segunda partida, que poderia ter mudado a história do campeonato.
N - É mesmo? Não me lembro... (risos)
H - Vamos relembrar então. Nos minutos finais, o atacante atleticano Sérgio Lopes chutou por cobertura, encobrindo o goleiro Jairo. A bola ia entrando quando surgiu Nilo e tirou a bola, de joelho. Você salvou o gol e o título coxa-branca.
N - Essa era umas das minhas características. Eu tinha ótima impulsão e, quando o lance acontecia pelo lado direito, eu corria para baixo das traves, por trás do goleiro. Consegui salvar vários gols assim.

No Atletiba ele fez a diferença

1972 - QUINTO LUGAR NO BRASIL

H - No Campeonato Nacional de 1972, que era o Brasileiro daquela época, o Coritiba chegou em 5º lugar. Como foi?
N - Tínhamos uma excelente defesa, com Jairo, Hermes, Pescuma, Cláudio e eu.
H - O time tomou apenas dois gols nas primeiras onze partidas.
N - E na frente tínhamos Flecha, Leocádio, Zé Roberto, Tião Abatia, Krüger, Paquito, Dirceu. Era um elenco de primeira.
H - A revista Placar escolheu o Zé como melhor ponta-de-lança do ano. Pelas notas, ele foi o melhor jogador do torneio.
N - Zé Roberto deve ter feito pelo menos três gols de calcanhar. Era difícil segurar o homem...

1973 - ANO INESQUECÍVEL

H - E 1973 começou com algumas mudanças. Evangelino fez uma troca excelente: o Santos ficou com Hermes, e em troca nos mandou Joel Mendes, Orlando, Oberdan e Negreiros. O Botafogo levou Dirceu, mas o Corinthians cedeu-nos Aladim. O elenco, que já era ótimo, ficou espetacular.
N - E não podemos esquecer do técnico Tim. Com ele ganhamos o Torneio do Povo, vencendo Atlético Mineiro, Bahia, Corinthians, Flamengo e Internacional. Foi o primeiro titulo nacional de um clube do sul do país.
H - Alguns meses depois, lá em Bandeirante, o alviverde tornou-se tricampeão estadual, um sonho antigo da torcida coxa-branca.
N - Esse foi certamente o ano mais feliz que passei no clube. Os atletas do elenco eram muito amigos.

1974 - NILO NA RESERVA

H - 1974 começou e após tantos anos como dono absoluto da lateral esquerda, você deixou o time titular. Estava contundido?
N - Não. Eu apenas me neguei a jogar, por causa de Yustrich.
H - O que aconteceu?
N - Yustrich era um técnico de 2 metros de altura, que tinha alguns métodos estranhos. Por exemplo, ele marcava os treinos bem cedo, e obrigava a gente a tomar o café da manhã em pleno estádio. Um dos treinamentos preferidos dele era a luta de boxe entre os atletas.
H - E ele não chegou a enfrentar ninguém no box, durante os treinos?
N - Até sugerimos que ele ?treinasse? com o preparador físico, Odivonsir Frega, mas ele não quis. Sei lá porquê..... (risos)
H - Ele não gerou problemas no grupo?
N - A imprensa é que vivia tendo atritos com o técnico.
H - E após empatar em casa com o Olaria(RJ), Yustrich foi mandando embora do Coritiba.
N - Pois é, o time não vinha rendendo bem. Essas coisas acontecem (risos)....
H - E no lugar, Evangelino colocou um atleta do elenco.
N - Hidalgo já era nosso capitão, então ficou fácil para ele comandar a equipe, do banco.

1974 - TETRACAMPEÃO ESTADUAL

H - Logo em seguida, Renganeshi foi trazido para dirigir a equipe no Estadual, e com ele você conquistou mais uma taça. Alguma lembrança da conquista?
N - No último jogo, contra o Pinheiros, faltava pouco para a partida terminar, quando a torcida do Coxa invadiu o gramado do estádio Belfort Duarte. Custou para convencer as pessoas a deixarem o campo. Quando o árbitro apitou o final, saiu gente de tudo quanto é lado, para comemorar o título com a gente.

Tetracampeão paranaense

1975 - PENTACAMPEÃO ESTADUAL

H - Em 1975, o elenco coritibano sofreu grandes alterações. Do meio-campo pra frente, todos os titulares foram modificados. E mesmo assim novamente o título veio. Qual era o segredo?
N - Evangelino trazia os jogadores, que entravam certinho no esquema de jogo da equipe.
H - Vitor Hugo, Osmarzinho (prata-da-casa), Nélson Lopes, Wílton, Eli, Maisena, Luisinho encaixaram direito na equipe, e ajudaram na conquista do seu sétimo paranaense.
N - Esse foi outro grande grupo com o qual eu pude jogar. Lembro-me que após o título estreamos no Brasileiro contra o Fluminense. E vencemos, em pleno Maracanã. Sem falar na goleada que aplicamos no Grêmio, dentro do Olímpico.

Elenco de 1975

1976 - DESPEDIDA

H - O ano de 1976 começou, você defendeu o Coritiba em um amistoso contra a seleção Paranaense, dia 21 de Janeiro, e em seguida deixou o clube.
N - Ganhar título todo ano acabou me enjoando (risos). Fui emprestado ao Blumenau, que logo em seguida virou Palmeiras.
H - E assim encerrou-se seu ciclo no Coritiba, você que foi um dos maiores recordistas de títulos e jogos oficiais com a camisa alviverde. Nilo, poucos atletas têm uma história tão rica, no Coxa, como você. Falando em nome da torcida, agradeço imensamente tantos anos de alegria e bom futebol que você proporcionou á torcida alviverde.
N - Não há de que. Eu agradeço ao Coritiba, por ter me dado esta oportunidade de mostrar meu futebol. Meus agradecimentos também ao carinho da torcida Coxa-branca.